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Couromoda começa com aposta no design contra "invasão" chinesa

Veículo: Folha de São Paulo
Seção: Dinheiro
Página: B6

Presidente de feira diz que brasileiros têm mais agilidade que rivais chineses Ganhar valor agregado e "subir um degrau na prateleira" é a receita para a indústria calçadista brasileira concorrer com a chinesa na fabricação de artigos de couro e calçados. A estratégia para 2007, já adotada nos últimos dois anos, é investir em design e variedade, diz Francisco Santos, presidente da Couromoda, feira internacional de calçados e artigos de couro, que ocorre de segunda a quinta-feira, no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo. Dos 15 bilhões de pares de calçados produzidos ao ano em todo mundo, só a China é responsável por mais de 9 bilhões. Em seguida vem a Índia, com 1 bilhão, e o Brasil, com 720 milhões de pares. Enquanto o preço médio do par chinês para a exportação é US$ 6, o brasileiro custa US$ 10,5. "O Brasil sai na frente em matéria-prima abundante, mão-de-obra qualificada e flexibilidade para inovar", diz Santos. Para Santos, a China tem menos agilidade por trabalhar com grandes volumes. Enquanto a indústria gaúcha agregou valor a seus produtos apostando em exclusividade e design, as fábricas do Nordeste (especialmente Bahia, Paraíba e Ceará), beneficiadas por incentivos fiscais e mão-de-obra mais barata, optam por atender ao mercado popular interno, com investimento em grandes volumes e preços que chegam a um terço dos praticados no Sul. Segundo a Ablac (Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados), no ano passado a cadeia couro-calçadista teve expansão de 7% nas exportações, atingindo US$ 4,5 bilhões. A Couromoda reúne 1.200 expositores, responsáveis por 90% da produção brasileira e, no ano passado, movimentou R$ 5 bilhões em negócios. Simultaneamente à feira, exclusiva a lojistas e representantes da cadeia, ocorre amanhã o 11º Congresso Brasileiro do Calçado.


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