Versátil, a viscose elástica é febre na moda brasileira

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas
Página: B4

Uma malha elástica, com toque mais frio e caimento mais pesado do que o algodão, é a nova vedete do mundo da moda. Feita com fios de viscose e de elastano, essa malha - chamada popularmente de "viscolycra" - virou mania entre as marcas de moda feminina, das mais baratas às mais sofisticadas. Hoje, o produto ocupa quase 70% da produção da malharia Marles. Chega a representar 80% da produção da Dalutex. Na tecelagem Santaconstancia o produto está entre os carros-chefes. A demanda é tamanha que artigos vindos da China já disputam esse mercado. A viscose é uma fibra artificial - feita da transformação da celulose - mas não sintética, como o poliéster ou a poliamida (derivados do petróleo). Desta forma, reúne propriedades das fibras naturais, como a maciez e o frescor, além de algumas vantagens das sintéticas, com a durabilidade e a fixação da cor. O artigo é um dos preferidos da grife FIT, que está há 20 anos no mercado. Cerca de 40% da produção da grife é feita de viscose com elastano. "Já usamos malha de poliéster, nos anos 90, mas ela é áspera e quente", diz Renata Schmulevich, proprietária da grife. A mania da viscose começou há cerca de um ano e meio. "Ela veio substituir as malhas de poliamida", afirma Elaine Szmulewicz, gerente de vendas da Dalutex, que já chegou a produzir 80% de suas malhas com fios de poliamida. Segundo Alessandro Pascolato, presidente da tecelagem Santaconstancia, o modismo casou com o gosto da mulher brasileira. "Essa moda pegou mais aqui do que em outros países", diz ele, que começou a desenvolver a malha há seis anos. A pesquisa deu origem à linha Radiosa, que reúne tecidos desenvolvidos com fios retorcidos de viscose e Lycra - o fio de elastano cuja marca registrada é da Invista. Segundo Pascolato, hoje o mercado dispõe de produtos de todas as qualidades. Os produtos de viscose da linha Radiosa, por exemplo, custam R$ 18 o metro, em média. Os modelos mais populares têm custo cerca de 40% menor. "A viscose é uma fibra que se não for bem trabalhada encolhe facilmente, não fixa bem a estampa e forma bolinhas na superfície", afirma o empresário, que corrigiu esses problemas tratando a fibra desde a fiação até a malha pronta. "Mas nem todos os produtos no mercado são confiáveis", observa ele. Há também confusões quanto à nomenclatura: não se pode chamar de Lycra fios de elastano que não sejam produzidos pela Invista. "No mercado, há quem chame de viscolycra até malhas 100% poliéster, o que confunde o consumidor." Para combater a massificação da "viscolycra", as tecelagens preparam novos produtos. A Marles, por exemplo, colocou no mercado recentemente a malha Bamboo. O fio de bambu é cerca de 15% mais caro do que o fio de viscose, derivado da celulose do eucalipto, explica o diretor da Marles , Michel Korich. "A viscose continua importante, mas é preciso inovar." Entre os lançamentos da Marles está a Sedalle, feita de viscose, seda e elastano. Para o próximo inverno, a Dalutex colocará no mercado uma malha feita de rayon, uma variação da viscose, cuja superfície é mais brilhante. Segundo dados do Instituto de Marketing Industrial (IEMI), em 2004, o Brasil produziu 454 mil toneladas de malhas. Desse total, 8,5 mil toneladas foram de malhas de viscose. Em 2005, a produção total foi de 554 mil toneladas, sendo 14,2 mil toneladas delas feitas de viscose. A malha de algodão tem a maior produção: 305 mil toneladas em 2004 e 364 mil no ano seguinte. O valor da produção de viscose mais do que dobrou nesse período. Em 2004, ele ficou em US$ 47 milhões. Em 2005, cresceu para US$ 101,5 milhões.