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Setor têxtil demitiu mais de 2 mil em 2006

Veículo: Diário do Nordeste
Seção: Negócios
Página: 2

A retração do mercado interno e internacional para os produtos têxteis e confeccionados cearenses levou a uma redução drástica em postos de trabalho do setor. Só o sindicato dos trabalhadores de Fortaleza e Horizonte registra uma diminuição de quase 35% no número de postos de trabalho. Segundo a entidade, o ano passado começou com seis mil trabalhadores e terminou com apenas quatro mil. O diretor jurídico do Sindtêxtil laboral de Fortaleza e Horizonte, Francisco Sobrinho, enfatiza que houve reduções ainda maiores. "Uma das maiores empresas daqui tem hoje aproximadamente um décimo dos trabalhadores que tinha há cinco anos", revela. Conforme informou, o desempenho do ano passado foi dos piores de toda a história do setor em termos de demissões. "Há duas décadas, tínhamos aproximadamente 30 mil trabalhadores nas fábricas de fiação e tecelagem", rememora. Em Maracanaú, outro importante pólo produtor de fios, malhas e tecidos, as lideranças sindicais do setor contabilizam entre 500 e 600 desligamentos de trabalhadores de chão de fábrica, incluindo no grupo a perda de 60 vagas com fechamento de unidades. O presidente em exercício do Sindtêxtil patronal, Iran Ribeiro, diz que a retração do mercado consumidor para os fios e tecidos cearenses se deve à "inundação de produtos chineses, indianos e paquistaneses". De acordo com o representante da entidade classista, essas mercadorias têm entrado ilegalmente no País, seja sem o pagamento dos tributos devidos, seja pela declaração de valores menores do que os reais. O vice-presidente do sindicato que atua nos municípios de Maracanaú e Maranguape, Enoque Alves, enfatiza que as demissões sofridas são parte de reestruturações feitas pelas empresas "por corte de custos e não por problemas de mercado", negando o argumento apresentado pelo sindicato patronal para os cortes. Tendência nacional O Ceará não enfrenta sozinho dificuldades no setor. De 2002 a 2006, foram fechadas 260 mil vagas nacionalmente, conforme a Associação Brasileira da Indústria Têxtil. Para enfrentar a crise, o setor reivindica redução da carga tributária e dos juros e a adoção de mecanismos de controle cambial e limitação das importações. No Ceará, Iran Ribeiro reclama ainda custos da energia e de outros de infra-estrutura.


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