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Pequenas aprendem a exportar

Veículo: Estado de São Paulo
Seção: Negócios
Página: B14

União em consórcios e investimento em design e inovação ajudam a driblar o real valorizado Após três anos de dólar enfraquecido frente ao real, as micro e pequenas empresas (MPEs) brasileiras estão tendo de aprender a driblar as adversidades para continuar exportando. A receita inclui investir na produção de artigos mais sofisticados, se unir a outras empresas em consórcios exportadores e também buscar novos mercados, como a América Latina e o Leste Europeu. As empresas brasileiras já absorveram a cultura de exportação, independentemente do porte. E já conseguem lidar melhor com dificuldades decorrentes do dólar barato, por exemplo, afirma Juan Quirós, presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Nos últimos quatro anos, a entidade investiu, junto com associações de classe, R$ 1,2 bilhão em programas de promoção de empresas de 72 setores. Não existem estatísticas recentes sobre o desempenho das micro e pequenas empresas no comércio exterior. Os últimos dados divulgados são de 2005 e mostram como o câmbio afetou os negócios. A participação das MPEs no total das exportações caiu de 3,1% em 2004 para 2,7% em 2005. O número de pequenas empresas que exportam caiu 7,6%. Por outro lado, o valor das exportações cresceu. As MPEs exportaram US$ 3,1 bilhões em 2005, 4,7% a mais do que em 2004. UNIÃO Mesmo setores que vêm enfrentando perda de mercado e de rentabilidade, como o de couro e calçados, buscam um horizonte melhor, apesar do dólar barato e da concorrência com produtos chineses no mercado internacional. A solução para as pequenas empresas do setor continuarem exportando foi a união em consórcios regionais. Juntas, as empresas conseguem diluir custos de logística e de participação em feiras e eventos, explica Walter Perfeito, vice-presidente de mercado externo da Assintecal, entidade que reúne empresas do setor de componentes para couro e calçados. Perfeito é também sócio da Irmãos Perfeito, empresa paulistana que fabrica acessório para calçados em materiais como madeira, madrepérola e casca de côco. Apesar de estar há 45 anos no mercado, até dois anos atrás a empresa não tinha nenhum cliente internacional. Há quatro anos, se uniu a outras oito pequenas empresas para criar o consórcio Smart e negociar clientes no mercado externo. Hoje, já possuem negócios no México, Guatemala, Colômbia, Argentina e Chile, e o faturamento do grupo cresceu 12%, graças às vendas ao exterior. Só a Irmãos Perfeito exporta 10% do que produz. Há quatro anos, não era nada. Uma das saídas encontradas pelas empresas para driblar a crise foi intensificar o investimento em design e inovação. O que o mercado internacional busca é criatividade e valor agregado, e nisso os brasileiros têm um diferencial, diz Perfeito. A Assintecal têm investido em parcerias com estilistas renomados, como Lino Villaventura e Waldemar Iódice, que ajudam os pequenos empresários a desenvolver coleções com apelo fashion. A Legas Metal, de São Paulo, fabricante de mobiliário e acessórios para lojas, como araras e manequins, vai pelo mesmo caminho. A empresa já conquistou clientes na América do Sul e Caribe e tem planos para aumentar suas exportações em 2007. Para isso, está desenvolvendo linhas de produtos exclusivas para exportação, com foco na versatilidade - característica bastante apreciada lá fora. Exportar é importante, pois não dá para confiar apenas no mercado interno, ainda mais com a economia crescendo timidamente, diz Marcelo Miyazawa, diretor de marketing da Legas Metal. A empresa investe na participação em feiras e eventos, como a Couromoda.


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